terça-feira, 2 de novembro de 2010

Relatório da Palestra - ENEM, DISPARIDADE EDUCACIONAL?

No dia 10 de junho deste ano, o Centro Acadêmico de História (CAHIS), Gestão Babilônia, iniciou suas atividades com o evento nomeado Historia Debate. Este teve como intuito criar espaço de exposição de idéias e opiniões, diante das modificações feitas no Vestibular da UFMG deste ano. Após reitoria declarar a retirada da “prova tradicional” da primeira etapa e substituí-la pelo Exame Nacional Ensino Médio (ENEM). Lembrando que a redação do exame também será utilizada como avaliação no vestibular desta universidade e os livros de literatura serão cobrados apenas para os candidatos que concorrerão às vagas ao curso de Letras, Comunicação, Teatro e Dança.
Para compor a mesa convidamos membros do nosso próprio departamento, docente, discente e egresso. Portanto contamos com a presença de Marcela Miranda, professora de História do pré-vestibular Soma e monitora do pré-vestibular, Elite do colégio Bernoulli; também com João Renato Oliveira, monitor do pré-vestibular Pré Ufmg e professor de História de um cursinho comunitário administrado pelo colégio Marista; participou da mesa também a Professora Dr. Regina Helena responsável pela disciplina de prática de ensino II de História na FAFICH, entre outros trabalhos que desenvolve.
            Inicialmente Marcelas Miranda e João Renato, descreveram como foi à notícia dentro de seus respectivos ambientes de trabalho: Vários alunos começaram a chorar, tiveram desmaios, alunos correndo para direção do cursinho e questionando seu futuro após noticia. Vários alunos do curso pré-vestibular Soma vaiaram a instituição preparatória para o vestibular, entre outros gestos de desespero.
Após falar da reação dos alunos Marcela e João disseram que os principais questionamentos dos alunos forma: O medo da concorrência nacional ao invés da estadual. Vários alunos falaram da facilidade da prova do ENEM uma vez que não é uma prova de “conteúdo” e sim de interpretação de texto, mesmo assim cansativa.
Depois falaram da reação dos colegas de trabalho (professores): Os professores receberam a notícia com tranqüilidade e não ficaram abalados como os alunos. Vários docentes falaram que gostaram da alteração, pois preferem trabalhar com o ENEM, mesmo assim afirmaram ficarem surpresos com a notícia, uma vez que não esperavam que a UFMG tomasse tal decisão.
            Mas toda esta inquietação dos vestibulandos, não ficou entre quatro paredes. Alunos dos cursinhos Elite do colégio Bernoulli e do pré-vestibular Soma, organizaram uma manifestação, passaram em outros cursinhos entre eles o Pré Ufmg para ir até a Reitoria que fica no Campus Pampulha e protestar contra a adoção do ENEM.
            Fazendo uma comparação do cursinho Pré Ufmg e com o comunitário administrado pelo colégio Marista, disse que os alunos do cursinho comunitário não esboçaram uma reação nem aproximada dos do Pré Ufmg, uma vez que ouve apenas um comentário superficial sobre a modificação do prova da UFMG. 
            Após a exposição dos docentes em cursinhos preparatórios, a professora Regina Helena começou a sua fala. Logo no início expressou a felicidade em ver o CAHIS fazer este tipo de debate, afirmando que já tem alguns anos que não ver alunos terem essa postura diante do tema Educação.
Desenvolvendo a fala, fez um apanhado histórico dos exames e teste feitos na história da educação brasileira, falou dos exames de proficiências, provão, vestibulares entre outros testes até chegar ao ENEM; depois disse como esses teste selecionam as pessoas e na sua opinião todo cidadão que quisessem estudar na universidade pública deveria estudar.
 Após essa exposição afirmou que mesmo o ENEM não significando uma democratização da universidade pública, o exame tem grande diferenças da prova “tradicional” que acontecia na primeira etapa e essa modificação ver como avanço. Mas deixando claro que a UFMG é uma das universidades federais que mais demorou na aceitação da modificação da prova (vestibular), mesmo havendo vários debates nesses últimos anos, diversas universidades já tinham aceitado esse exame. Também salientou sobre a importância de discutir um projeto pedagógico e não apenas ficar preso nesses testes que são dispositivos de seleção. É por isso que devemos ter sempre em mente que o ENEM ainda é uma prova e é mais um “funil educacional”. Para quem diz que a prova do ENEM é fácil, “quem disse que prova tem que ser difícil?” O objetivo da prova deve ser de reflexão, ter um posicionamento e não trazer problemas insolúveis.
O ENEM sendo uma prova nacional é um avanço, ter uma prova que cobra a tão falada interdisciplinaridade também é interessante. Mas também é mais um nicho de mercado para os cursinhos, que já lançam preparatórios específicos para o ENEM, bíblia do ENEM e etc.;
Hoje vemos o vestibular atingindo a infância das pessoas e não apenas os últimos anos do ensino médio. Um exemplo foi na semana passada que pais fizeram uma fila quilométrica disputando vaga no colégio Loyola, este que tem uma mensalidade aproximada aos R$1.000,00 e quando perguntava para os pais porque encarar aquela fila, respondia para o filho passar na UFMG, isso por que os filhos têm apenas sete anos de idade. Portanto percebemos como que a exigência diante dos filhos  de classe media e elite em entrar numa universidade pública no Brasil, estes estão sendo cobrados e exigidos desde a infância.   
O grande problema é que uma prova não pauta um projeto pedagógico e nesse ponto que temos que começar a discutir democratização e não através dos testes de seleção.
Na palestra tivemos também a presença de um aluno do cursinho Pré-vestibular Soma e este explicitou o que irá tentar o vestibular para o curso de História para 2011. Bastante descontraído, afirmou que estará no curso de história ano que vem, pois o curso não é bastante concorrido, mas a grande preocupação e entrave que vive são perante os pais, pois estes querem que tente curso como direito, engenharia, ou seja, cursos de maior status social, mas diz não preocupar. Também falou de como foi caótico ambiente no Soma, quando os alunos receberam a notícia do ENEM. Descreveu as modificações internas do cursinho, como: trabalhar mais interpretação de texto; assuntos atuais; concentração nas leituras das questões, porque geralmente são mais extensa que o vestibular tradicional.
Outra contribuição para o evento foi do Centro Acadêmico de Historia do UNI-BH, onde afirmaram que está visualizando agora nesse evento os confrontos diante do ENEM, pois no ambiente da universidade privada (UNI-BH), não aconteceu nenhum tipo de movimentação, debate e nem mesmo comentários e olha que o ENEM já foi está sendo utilizado pela mesma desde 2005.



Alguns pontos levantados pelo público presente e pela mesa.

- Se ENEM não é a democratização da universidade, mas será que este não está sendo utilizado como discurso de democratização pela UFMG e outras universidades.
- Porque o ENEM existe há vários anos e só agora foi implantado na UFMG.
- No site do INEP, mostra que a diferença da média das notas de escola pública e escolas particulares chegam aproximadamente a 20%, então como enxergar o ENEM como democratização da universidade pública, uma vez que além dos alunos de escolas privadas terem maior nota no ENEM, ainda tem a segunda etapa.
- A prova do ENEM pode ser diferente na elaboração, mas mesmo assim cobra-se conteúdo.
- A prova do novo ENEM consegue fazer coisas que agente da universidade (UFMG) não consegue História não relaciona com a Geografia, cada um no seu quadrado.  
- A prova do ENEM não é fácil e nem mesmo sem conteúdo. Se formos às escolas públicas, veremos que grande parte dos alunos tem dificuldade de escrever e não tem concentração de ficar cinco horas lendo uma prova e interpretando.
- Não vimos na UFMG debates realmente consistente que poderia fazer uma democratização da universidade, como aconteceu na UFPE, UFU, UPE.
- Visualizando o Prouni, pode dizer que deu e está dando oportunidade para alunos que tinham uma condição mínima (classe media empobrecida) e também ajudou bastante as instituições educacionais privadas, por causa de vagas ociosas e processo de evasão. Mas não podemos jogar o “menino junto com a água do banho”, pois também deu possibilidade de várias pobres, negros, deficiente entre outros de entrar na universidade, privada, mas deu.
- As literaturas que sempre foram cobrada em todo vestibular, serão restringidas há 04 cursos, porque a UFMG tomou essa postura.



OBS: Todos os participantes do evento podem retirar seus certificados de participação no CAHIS, com duração de 03h, sala 3039 da FAFICH, no segundo semestre. 

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