terça-feira, 2 de novembro de 2010

Publicação docente - Manifesto Contra o Conservadorismo no Curso de História da UFMG.

Manifesto Contra o Conservadorismo no Curso de História. Sexta Feira 13
Uma neblina espessa paira sob o curso de História, um conservadorismo egocêntrico e bastante prepotente em superfícies de pano. Nos últimos tempos ela parece ter se abatido sobre o pequeno universo de fantasia adolescente dos dignitários graduandos, especialmente nos dias mais recentes, incólume em tal tendência. De um momento para outro, meio que subitamente, ficou “bonito” seguir o batido modelo do “bom estudante”, ou seja, o quietinho, passivo, politicamente correto, pronto para inclinar a cabeça diante de qualquer ordem, desde que surja qualquer promessa, duvidosa de um benefício ao longe. “Ah, meu (a)mestrado!”
O pior é que nada disso foi imposto de cima, mas nasceu e tem crescido no meio dos alunos.
“O que estamos ajudando a fazer de nós mesmos ?”
Uma nova tendência surge e dita subgrupos inconscientes na medida de uma realidade apática. Turmas se isolam em si mesmas por boicotarem uns aos outros, como se pertencessem a convívios tão diferentemente bizarros que o ato de apreciar um misero copo de cerveja, ou deglutir fluidos corporais alheios com colegas de períodos distintos, acima ou abaixo, em noites hedonísticas, torna-se procedimento suspeito. Quanto pudor sem preceito. Aliás, para um grupo crescente de colegas, diversão tem se tornado uma espécie de crime. Uma ato passível de punição para a dedicação incondicional. Fazendo da universidade uma sala de aula, onde a extensão é a biblioteca. Uma espécie de curso de futuros e pródigos bacharéis, no sentido antigo desse termo, quando era usado de forma depreciativa designando aquele que nega qualquer vida social em nome de uma dedicação patológica ao estudo. A esses, sentimos dizer: Não é por me divertir mais é que estudo menos que eles, ou o faço com menor qualidade. Não sou exceção à regra.
E quanto a qualquer “dissenso”? Difícil ou inacreditável. Ambíguo no mundo onde todos os dias escutamos a palavra diferença, cada vez mais enfatizada. Não existe debate. Idéias divergentes são silenciadas pelo discurso da individualidade ou relativização.
Nos corredores as relações sociais aparecem como representações teatrais numa performance meritocrática e edenista. A borracha do piso á análoga às bolsas de lápis, quando deviam ser companheiras químicas dos preservativos armazenados em bolsos, ávidos por serem consumidos, devorados numa desenfreada falta de pudor. Ainda algum sabor de leite com pêra impregna machos e fêmeas.
Será que o contato de uma turma com outra, de uma sala com outra, não seria importante na formação de cada um, tanto acadêmica quanto pessoal? Cremos que hoje os sites de relacionamento virtual são os únicos espaços em que o dissenso acontece e as discussões se dão. Academicamente e pessoalmente, a tendência atual é o isolamento.
Nunca visualizamos discussões virtuais que abordam criticamente a FAFICH com suas carteiras que poderiam ser patrimoniadas junto ao IPHAN. Nas mesmas sentaram pessoas que confrontaram ditaduras, cerceamento da palavra, imposições institucionais e burocráticas. Em novas carteiras um dia poderíamos dissecar sobre aquecimento global, elencar a falta de ventiladores e o calor dentro da sala de aula. É tão importante discutir a falta de forros acústicos quanto questionarmos a impossibilidade de fazer Bacharelado em História no período noturno. Sem esquecer a insuficiência de oferta de matérias optativas que abordam novos temas, fora de seus ciclos de debates já viciados.
O que iremos fazer?
Propomos após este manifesto, uma oportunidade de diminuir tal abismo, tal onda politicamente correta e de isolamento!
Não percam! Relançamento de dois Fanzini do curso:
ü  Conversa Fiada e Delírios Noturnos - Poemas de dois alunos do curso
ü  História na Merda - Frases da Fafich com referencia banherográfica

Igor (Nefer) Tadeu,  OdraciR Fernandes, Ulisses Manoel

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