quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CARTA ABERTA AO CORPO DISCENTE E DEMAIS MEMBROS DO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE DE MINAS GERAIS - UFMG.

No dia 30 de setembro, por pedido de alguns professores do nosso departamento, foi convocada uma reunião pelo diretor do departamento junto ao corpo docente e representantes do corpo discente do curso de História da UFMG. Na reunião discutiu-se o projeto de alguns professores baseado na pretensão de aprovar de 04 (quatro) horários corridos para o curso de graduação em História da UFMG. Após a reunião o Centro Acadêmico de História (CAHIS), Gestão Babilônia, chegou à conclusão de que seria um grande atraso para o curso a efetivação da referida medida. Cientes de assumir uma posição identificada com os alunos o Centro Acadêmico realizou um plebiscito entre os dias 04 e 05 de outubro.      
Foi notável a euforia dos alunos na participação do plebiscito. O resultado após dois dias de consulta geral foi de 178 (cento e setenta e oito) votos contra a geminação das aulas e 2 (dois) votos à favor, o que revela a baixa adesão e a conseqüente ineficácia dos horários corridos.
Com a geminação dos horários as aulas se tornarão cansativas e pedagogicamente inviáveis, ou seja, prejudicarão um dos pilares da universidade: o processo de ensino/aprendizagem. Essa opção desequilibraria toda a já deficiente grade curricular, visto que disciplinas eletivas compõem parte imprescindível da graduação. Assim não será possível concluir a formação complementar nos dois turnos do curso instituídos desde a inscrição no concurso vestibular. Outro ponto importante para o debate será a quantidade de conteúdo perdido em apenas um dia dos alunos e professores ausentes, sem falar no grande acúmulo de textos que deveriam ser lidos para cada aula. Se com dois horários o número de texto demanda horas de leitura durante o intervalo das disciplinas (um dia), com o dobro das atividades diárias isso se torna inviável. No Brasil há uma quantidade grande de feriados se o compararmos com outros países, e como esses acontecem geralmente em um dia na semana no decorrer do ano, prejudicaria uma disciplina inteira, trazendo a possibilidade de não cumprir as 60h/aulas (sessenta horas aulas) legalmente estabelecidas em nosso departamento. Sem falar que existem alguns professores que já dão aulas geminadas na sexta e não cumprem com todo o horário, saindo mais cedo, propondo a troca do intervalo para compensação no fim do horário, entre outras práticas que diminuem o tempo total de aula.
Com o intuito de ir à universidade apenas uma vez por semana para cumprir docência na graduação, a principal justificativa dos professores interessados em efetivar as aulas geminadas é o número de atividades que exercem, seja dentro ou fora da universidade: na composição de mesas, bancas, conferências, simpósios e outros ofícios. Sabemos do grau de importância de todas essas atividades exercidas pelos nossos docentes, mas como prejudicar a vida de um corpo de aproximadamente 400 (quatrocentos) discentes em benefícios de poucos docentes? Soma-se a isso o fato de nem todos os professores do departamento concordarem com tal proposta, isso retirando a participação de alguns professores que estão afastados, trabalhando em cargos administrativos ou se qualificando em programas de pós-graduação. Outro questionamento é: por que uma quantidade pequena de professores em relação ao número de alunos está causando ecos pavorosos diante da proposta geminação das aulas? Podemos tentar responder esse questionamento através do regimento geral da UFMG, em que o corpo discente tem apenas 1/5 (um quinto) das representações com direito a voto nos conselhos docentes (art. 102 do Regimento geral da UFMG). Então porque espaços como esses, dito democrático e de deliberação na universidade, não efetivam os votos paritários, fazendo com que as demais representações se igualem?
O debate dessas temáticas é vital para uma maior coerência nas relações que envolvem os discentes, docentes e funcionários técnico-administrativos. Na quarta-feira, 27 de outubro de 2010, será votada a questão das aulas geminadas. Porém, não podemos deixar que esse debate se encerre após a decisão tomada. É papel de todos nós participarmos constantemente das decisões que estão diretamente relacionadas ao meio universitário.
CAHis (Centro Acadêmico de História) – Gestão Babilônia

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